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Primeiros tradutores e intérpretes de Libras do IFSul completam dois anos de atividades

altQuatorze de julho de 2014. Há exatos dois anos, o IFSul ganhava os seus primeiros Tradutores e Intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Tils), aprovados via concurso público. Lucas Soares e Luciane Kaster Barcellos ingressaram na instituição para fazer o que mais gostam na vida: promover a inclusão e se dedicarem de corpo, alma e coração à comunidade surda.

Lotados no câmpus Pelotas, na Coordenadoria de Assistência Estudantil (Coae), Lucas e Luciane, hoje, não estão mais sozinhos nesta nobre missão. Agora, contam com mais duas colegas de trabalho, Rúbia Aires e Tânia Madeira, que chegaram há cerca de um ano, redistribuídas de outras instituições de ensino públicas.

Atualmente, os quatro são os únicos Tils concursados do IFSul. Por isso, além das demandas do próprio câmpus, são repetidamente solicitados para atuarem em eventos, capacitações e demais projetos na Reitoria e nas outras escolas do instituto federal. Rotina prazerosa, segundo eles, mas que inevitavelmente acaba trazendo problemas de Lesões por Esforço Repetitivo, as chamadas LER. Lucas sofre com dores por conta da tendinite nos ombros e polegares, e Luciane, nos ombros e pulsos.

“Me arrisco a dizer que 100% dos tradutores e intérpretes de Libras têm ou terão alguma LER. Isso é uma constante na profissão, infelizmente. Sem falar no cansaço mental, que pode fazer com que sejamos induzidos ao erro durante a sinalização para um surdo”, comenta Lucas, 23, que já atua como Tils há sete anos.

Situações como essa relatada por ele são comuns entre os profissionais desta área. Trabalhar em dupla, portanto, é uma prática comum na tradução e interpretação de Libras. Um apoia o outro para que a sinalização ao surdo não seja comprometida. Lucas e Luciane dizem que, em Pelotas, existem apenas 22 Tils atuantes, para atender as inúmeras demandas de uma cidade de porte médio, com mais de 340 mil habitantes.

“Esse número, no mínimo, deveria ser dez vezes maior. Esses 22 Tils são acionados a todo momento. Se todo órgão público tivesse o profissional habilitado, como manda a legislação, o cenário mudaria um pouco”, desabafa Luciane, lembrando que muito trabalho extra, como atender um surdo em uma delegacia durante a madrugada, por exemplo, não é remunerado e acaba sendo realizado mesmo assim por um desses 22 profissionais. “Fazemos por amor à comunidade surda. Quem não fizer isso é mal visto”, lamenta.

Lucas, Luciane, Rúbia e Tânia não escapam dessa dura realidade. No entanto, dizem que enxergam o IFSul como “um porto seguro”, onde podem colocar em prática o que mais gostam de fazer e, o que é melhor, serem reconhecidos e remunerados por isso. No câmpus Pelotas, eles auxiliam dois servidores surdos, o professor Diogo Madeira e o técnico-administrativo Jean Michel Farias. A agenda diária do quarteto é montada sempre em função dos dois. Férias também. Por isso, um simples jantar em família ou com amigos pode se tornar algo bastante complicado.

“Ficamos bastante chateados, tristes mesmo, quando alguém menospreza o trabalho de um tradutor e intérprete de Libras”, desabafa Luciane, 32, que atua há 16 anos como Tils, mas que desde os oito anos domina a Libras. Conta que aprendeu a língua para poder se comunicar com a prima, que é surda.

Equipe afinada

altPessoas totalmente diferentes, mas que se completam. Assim pode ser definido o conceito de equipe para os Tils do câmpus Pelotas. A convivência e o comprometimento com a comunidade surda fizeram o quarteto se conhecer como a palma da mão. Tanto que Lucas e Luciane se atrevem até a apontar características marcantes de cada um. Segundo eles, Luciane é a falante; Rúbia, de 34, a metódica; Lucas, o caçula, o “especialista” em legislação; e Tânia, 56, a emotiva.

altA Libras está tão presente na vida deles que até um simples convite para um café é feito através de sinais. Aliás, isso já rendeu episódios inusitados. Lucas, por exemplo, já comprou roupas e ingressos para cinema utilizando a sinalização específica, sem se dar conta que falava com uma pessoa ouvinte (não surdo). Já Luciane comete a “gafe” quase sempre em casa, nas conversas com o filho e marido. “Mas também, quando eu quero brigar, utilizo a Libras e xingo à vontade”, brinca a falante da equipe, que carrega o sinal representativo da Libras tatuado no pulso esquerdo.

Valorização

No câmpus Pelotas, os Tils atendem nos três turnos O trabalho é feito em duplas, que fazem o revezamento e apoio de 20 em 20 minutos, realizando, respectivamente, o descanso físico e suporte técnico ao colega.

Visando qualificar estes atendimentos na maior escola do IFSul, promovendo a acessibilidade linguística, o reconhecimento dos profissionais e a qualidade dos serviços prestados, o trabalho de tradução/interpretação de Libras baseia-se, respectivamente, no decreto nº 5.626/05 , na lei nº 12.319/10 e NR17.

Conforme as solicitações dos serviços de tradução e interpretação, podem ser realizadas alterações nos horários estipulados de atendimento, à medida que as demandas forem previamente solicitadas e houver disponibilidade dos profissionais. Para saber como solicitar esse serviço, CLIQUE AQUI.

Para valorizar a categoria em todo o país, entidades representativas dos Tils lutam por melhores condições de trabalho e salários. No serviço público, a reivindicação é para que concursos para tradutor e intérprete de Libras sejam de nível superior. Hoje, é exigido apenas o ensino médio, nível D, cuja remuneração básica inicial chega a ser 70% menor do que a de um profissional de nível E (superior).

“No Brasil, existem cerca de 700 Tils de nível D e apenas 20 de nível E. Para corrigir isso, a nossa reivindicação é para que os próximos concursos sejam para nível superior”, ilustra Luciane.

Última atualização (Qui, 14 de Julho de 2016 15:51)

 
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